Coração da mulher precisa de cuidados especiais
O número de mulheres com problemas cardíacos cresceu consideravelmente nos últimos anos. Estima-se que as doenças cardiovasculares matem cerca de seis vezes mais do que o câncer de mama, por exemplo. De acordo com a Dra. Lise de Oliveira Bocchino, cardiologista, um dos períodos em que a mulher está mais propensa a ter estes problemas é o da menopausa, pois é quando o organismo começa a sentir falta de um grande aliado do coração, o hormônio estrogênio.
“Este hormônio ajuda a impedir que o colesterol fique na parede dos vasos. Entretanto, a comunidade médica alerta que mais importantes são os fatores de risco e hábitos de vida que a mulher possui. Hoje elas trabalham, fumam, consomem álcool, exatamente como os homens. Além dos riscos típicos da vida moderna, as exigências de trabalho e família atingem seu ponto máximo enquanto ainda são jovens”, explica a cardiologista.
Para a médica, é importante, além de manter a qualidade de vida, realizar exames de rotina para verificar como está a saúde do coração. “Não há limite de idade para iniciar a rotina médica. Caso a mulher fume, esteja acima do peso, tenha antecedentes familiares ou seja sedentária, ela pode começar a partir dos 30 anos, repetidos a cada dois anos caso esteja tudo bem. Já aquelas que não possuem fatores de risco, a idade limite para o início dos exames é de 40 anos e devem ser repetidos anualmente”, alerta.
Segundo a Dra. Edilamar Moro Dach, cardiologista, reconhecer as diferenças de sintomas entre homens e mulheres quando ocorrem doenças cardíacas pode ajudar na detecção precoce do problema. “Quanto ao infarto, por exemplo, a mulher geralmente tem sintomas mais leves e que podem se confundir muitas vezes com outros problemas. Vertigem, náuseas e fadiga são alguns dos exemplos. Já os homens tendem a ter sinais mais claros, como a dor no peito. Porém, uma característica em comum é que os sintomas têm início súbito”, explica Dra. Edilamar.
Para que as mulheres possam manter uma vida mais saudável, é importante seguir um estilo de vida com qualidade, segundo a médica. “Praticar exercícios, controlar o peso, realizar avaliações periódicas com frequência e fugir, quando possível, do estresse e de toda forma de sofrimento físico e mental são atitudes essenciais para viver melhor”, conclui a cardiologista.

Dra. Lise durante atendimento no Hospital Pilar. Ela alerta para a importância da realização de exames de rotina.

Segundo a Dra. Edilamar, em décadas passadas os problemas cardiovasculares eram considerados "doenças dos homens".